domingo, 27 de fevereiro de 2011

Vergonha Nacional - 1ª Parte

        
        Engraçado como algumas decisões são absolutamente fáceis de serem tomas e outras emperram, simplesmente travam e são resolvidas de forma lenta, mas muito lenta.
           Dois exemplos. O primeiro, de absoluta facilidade e praticidade na resolução de um problema. No dia 15 de dezembro de 2010, uma quarta-feira, o Congresso aprovou aumento de 61,7% nos salários de parlamentares, presidente, vice e ministros de Estado. A partir de 1º de fevereiro de 2011, eles receberão R$ 26,7 mil por mês, salário igual ao dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). O mais legal disso é que nas duas Casas (tanto na Câmara quanto no Senado), a votação foi simbólica, ou seja, do tipo em que o congressista não declara seu voto. Mas na Câmara, foram 279 votos favoráveis, 35 contra e 3 abstenções para a aprovação do regime de urgência, que abriu caminho para que o texto fosse aprovado. No Senado, apenas Marina Silva (PV-AC) se manifestou contra no momento da decisão. Alvaro Dias (PSDB-PR) e José Nery o fizeram apenas depois. Por votação simbólica você, caro leitor, entenda o seguinte: o presidente da Casa Legislativa resolve tudo de uma forma muito simples, tudo muito prático “As Senhoras Deputadas e os Senhores Deputados que aprovam o projeto permaneçam como se encontram. O projeto foi aprovado”. Não é mágico isso? É como subir de elevador, não tem esforço algum.
          Já no segundo exemplo, vou explicar como acontece o reajuste do salário mínimo. O Jornal O Globo, do dia 03/11/2010 trazia a seguinte manchete "Congresso retoma discussão de reajuste do salário mínimo e Orçamento 2011". Isso mesmo, 03/11/2010. O capítulo final desta discussão só ocorreu na última quarta-feira, dia 23/02/2011. Os nobres deputados levaram todo esse tempo, exatos 112 dias, para elevar o valor do salário mínimo de R$ 510,00 para R$ 545,00 um aumento de 6,9%. Se falarmos em aumento real do salário mínimo, já descontada a inflação de 2010, isso significa um reajuste de cerca de 1%, o menor dos últimos anos. Os congressistas subiram, bem lentamente, 112 degraus para, generosamente, oferecerem ao trabalhador brasileiro um reajuste ridículo como este.


          Cabe aqui um parêntese. Estamos vindo de oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso, sociologo, intelectual, montou a equipe econômica que nos concebeu o milagre do Real, viajou  pelo mundo recebendo vários títulos como o de Dr. Honoris causa (em português: "por causa de honra"). Estamos vindo de oito anos de governo Lula, operário, líder sindical, um dos fundadores do PT, de origem humilde, nordestino. E é esse o legado que eles deixaram? Um salário mínimo de fome? Um salário mínimo que fere a nossa Constituição? Um salário mínimo que tira do brasileiro o direito de ter dignidade? E a Dilma?  A mãe da pobreza. Conduziu tudo direitinho, seguindo a mesma cartilha deixada pelos seus antecessores Lula e FHC.
          
         Quando eu assisto ao ministro da educação deste país, o ministro Fernando Haddad, em rede nacional de rádio e televisão, anunciar que o piso nacional do professor do ensino básico passará de R$ 1.024,67 para R$ 1.187,97 sinto uma tremenda revolta. Esse valor é para um professor que trabalha 40 horas semanais. Isso significa dizer, para que fique bem claro, por 20 horas de trabalho semanais o professor receberá R$ 593,98 - apenas R$ 48,98 a mais que o salário mínimo que é de R$ 545,00. Estamos falando aqui de uma categoria de trabalhadores que é estratégica para o desenvolvimento econômico deste país, mas, infelizmente, quando se fala em reajuste salarial dos professores nossos políticos não encaram como investimento, encaram como despesa. Deveriam encarar como despesa, também, o reajuste dos seus próprios salários. Ministro, não ofenda a nossa inteligência. Como podemos, diante de uma turma de mais de 30 alunos, dizer que a educação é importante para as suas vidas, que a educação pode mudar o seu futuro e o futuro de sua família, de que o estudo vai lhes garantir um bom emprego se nós, que temos, em média, 18 anos de estudo temos um piso nacional que paga apenas R$ 48,98 a mais que o valor do salário mínimo por 20 horas semanais? Vamos continuar falando tudo isso para os nossos alunos por que o nosso compromisso não é com a classe política do nosso país, o nosso compromisso é com a sociedade brasileira.
          Subestimam nossa inteligência. Bando de populistas. Bando de ladrões. Fazem a farra com o dinheiro público. Esbanjam dinheiro na hora de manter suas mordomias. Meu amigo, não cai nessa propaganda enganosa [veja o filme].

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          Por que será que a propaganda não fala quanto pagam a um professor na Inglaterra, quanto pagam a um professor na  Finlandia, quanto pagam a um professor na Alemanha, na Coréia do Sul, na Espanha, na Holanda ou na França? Pense nisso.
          Aguardo seu comentário.