domingo, 16 de outubro de 2011

A história do horário de verão

O horário de verão chegou. Regiões sul, sudeste e centro-oeste e, agora também, o estado da Bahia (observe o mapa acima) adiantaram em uma hora seus relógios a partir da zero hora de domingo, dia 16/10. No verão, os dias são mais longos por causa da posição da Terra em relação ao sol. Com isso, a luminosidade natural pode ser melhor aproveitada adiantando o relógio em uma hora. O principal objetivo do horário de verão é aproveitar por mais tempo a luz solar e, assim, economizar energia elétrica.
Para que você entenda melhor o que estou tentando explicar,  é preciso que dois conceitos importantes sejam assimilados: solstícios e equinócios.

Os solstícios
Na astronomia, solstício (do latim sol + sistere, que não se mexe) é o momento em que o Sol, durante seu movimento aparente na esfera celeste, atinge a maior declinação em latitude, ou seja, seu maior ponto de afastamento no norte, na altura do Trópico de Câncer,  e seu maior ponto de afastamento no sul, na altura do Trópico de Capricórnio. Os solstícios ocorrem duas vezes por ano: em dezembro e em junho. O dia e hora exatos variam de um ano para outro. Quando ocorre no verão significa que a duração do dia é a mais longa do ano. Analogamente, quando ocorre no inverno, significa que a duração da noite é a mais longa do ano.
No hemisfério sul o solstício de inverno ocorre por volta do dia 21 de junho e o solstício de verão por volta do dia 22 de dezembro. Estas datas marcam o início das respectivas estações do ano neste hemisfério. Já no hemisfério norte, o fenômeno é simétrico: o solstício de verão ocorre em junho e o solstício de inverno ocorre em dezembro.

Iluminação da Terra pelo Sol durante o solstício do hemisfério norte (21/06 - início do verão no hemisfério norte, portanto, solstício de verão neste hemisfério; analogicamente, neste mesmo dia tem início o inverno no hemisfério sul, solstício de inverno neste hemisfério)
Iluminação da Terra pelo Sol durante o solstício do hemisfério sul (22/12 - início do inverno no hemisfério norte, portanto, solstício de inverno neste hemisfério; analogicamente, neste mesmo dia tem início o verão no hemisfério sul, solstício de verão neste hemisfério)
 Esta figura mostra a declinação do Sol em latitude, ou seja, maior afastamento do Sol em relação ao Equador em direção ao Trópico de Câncer,  no hemisfério norte, ou em direção Trópico de Capricórnio, no hemisfério sul.

 Os equinócios

Os equinócios são estágios intermediários entre o solstício de verão e o de inverno em determinado hemisfério. Ou seja, o equinócio ocorre quando a incidência maior de luz solar se dá exatamente sobre a linha do Equador.
Então, diz-se que é equinócio de outono para o hemisfério que está indo do verão para o inverno e equinócio de primavera para o hemisfério que está indo do inverno para o verão.
A palavra equinócio vem do Latim, aequus (igual) e nox (noite), e significa "noites iguais", ocasiões em que o dia e a noite duram o mesmo tempo. Ao medir a duração do dia, considera-se que o nascer do Sol (alvorada ou dilúculo) é o instante em que metade do círculo solar está acima do horizonte, e o pôr do Sol (crepúsculo ou ocaso) o instante em que o círculo solar está metade abaixo do horizonte. Com esta definição, o dia e a noite durante os equinócios têm igualmente 12 horas de duração.
Os equinócios ocorrem nos meses de março e setembro quando definem mudanças de estação. Em março, o equinócio marca o início da primavera no hemisfério norte e do outono no hemisfério sul. Em setembro ocorre o inverso, quando o equinócio marca o início do outono no hemisfério norte e da primavera no hemisfério sul. As datas dos equinócios variam de um ano para o outro.

Iluminação da Terra pelo Sol no momento do equinócio.



Observe a imagem abaixo, ela foi postada pelo Rodrigo, aluno de física na UERJ, postou no seu blog


Na primeira foto, tirada em junho (próxima ao solstício de inverno), o Sol de põe no ponto 1, e apresenta deslocamento máximo em direção nordeste. 
Na quarta foto, em dezembro (próximo ao solstício de verão), o Sol se põe no seu deslocamento máximo à sudeste. 
Depois disso, retorna em direção ao leste (ponto 2), que marca o equinócio, apresentado na quinta fotografia. Obviamente, trata-se de um ciclo anual.


O solstício de verão, no hemisfério sul, e sua relação com o horário de verão

Estamos em plena primavera, ou seja, um estágio intermediário entre o inverno e o verão. Isso significa que os dias, aqui no hemisfério sul, estão cada vez mais longos e as noites cada vez mais curtas. É aí que entre a ideia de adiantar os relógios em uma hora no fuso horário oficial local, no nosso caso é o de Brasília, para aproveitar melhor as horas de Sol.
Essa ideia não é nova e também não é exclusiva do nosso país. 
O horário de verão foi cogitado pela primeira vez em 1784, por Benjamin Franklin, um dos homens mais influentes da história política e científica dos Estados Unidos. Partindo da observação de que, durante parte do ano, nos meses de verão, o sol nascia antes que a maioria das pessoas se levantasse, ele concluiu que, se os relógios fossem adiantados, a luz do dia poderia ser mais bem aproveitada.
A idéia, na época, não chegou a sair do papel. Em 1907, na Inglaterra, um construtor chamado William Willett, membro da Sociedade Astronômica Real, deu início a uma campanha que propunha alterar os relógios no verão para reduzir o que classificava de "desperdício de luz diurna". Willett morreu em 1915, um ano antes de a Alemanha adotar sua tese e se tornar o primeiro país no mundo a implantar o horário de verão.

Quem adota o horário de verão?

Hoje, aproximadamente 30 países utilizam o horário de verão em pelo menos parte de seu território. As datas de início e término estam sempre relacionadas a uma estação do ano.
Grande parte das porções continentais do planeta está no hemisfério norte. Ali, o inverno costuma ser rigoroso com o Sol se pondo bem cedo e levantando-se vagarosamente durante o dia. No verão ocorre o contrário. É comum se ter claridade por volta das 20 ou até 22 horas. É por isso que nesses lugares o horário de verão faz muita diferença.



Nos Estados Unidos, o período em que se adota o horário de verão é conhecido por DST (Daylight Saving Time). Seguem abaixo alguns exemplos de países que adotam o horário de verão e suas respectivas épocas:
- Países membros da União Européia: último domingo de março ao último domingo de outubro;
- Estados Unidos, Canadá e México: abril a outubro;
- Rússia, Turquia e Cuba: março a outubro;
- Austrália, Nova Zelândia, Chile e Paraguai: outubro a março.
No Brasil, a história do horário de verão teve início na década de 30, pelas mãos do então presidente Getúlio Vargas: sua versão de estréia durou quase meio ano, vigorando de 1 de outubro de 1931 até 31 de março de 1932. Depois de 18 anos sem sua instituição, o horário de verão foi novamente adotado devido à queda do nível de água nos reservatórios das hidrelétricas, por volta de 1985/86. Após esse período, o horário de verão passou a ocorrer em todos os anos. 
Para ser implantado, o horário de verão deve ser decretado pelo Presidente da República, fundamentado em informações encaminhadas pelo Ministério das Minas e Energia, que toma por base os estudos técnicos realizados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico - ONS, e indica quais as unidades da Federação serão abrangidas e o período de duração da medida.

Veja como a Hora Legal Brasileira fica alterada durante o período de vigência do horário de verão.

Mapa sem Horário de Verão


 Mapa com Horário de Verão 2011/2012  


Interessante, não é mesmo? Na prática, é como se todos os estados que adotaram o horário de verão tivessem sido deslocados 15º para o leste (15º= 1h. 15ºE significa 1h a mais, ou seja, 1h adiantada. 15º é a medida de um fuso horário. A Terra está dividida em 24 faixas de 15º cada), saindo, portanto, do 2º fuso horário brasileiro para o 1º fuso, aquele das ilhas oceânicas.

O polêmico caso da Bahia

A Bahia fez parte do horário de verão até 2002. O retorno ao regime especial é resultado de um estudo apresentado por empresários baianos ao governo local. 
Localizada numa região próxima ao Equador, como a maior parte do Brasil, na Bahia os dias e as noites têm duração igual ao longo do ano e a implantação do horário de verão traz muito pouco ou nenhum proveito.
Assim, se o objetivo principal da instituição do horário de verão é a economia de energia, sua adoção na Bahia pode ser questionada. 
A principal queixa diz respeito ao horário de verão alterar o relógio biológico das pessoas.
Os efeitos do horário de verão são semelhantes ao de uma viagem de avião em que se cruza um fuso horário. O nosso organismo possui diversos ritmos sincronizados entre si, como a temperatura, o sono, entre outros.
Com o horário de verão ou a mudança de fusos horários, o organismo tende a sincronizar seus ritmos ao novo horário, no entanto, como cada ritmo tem uma velocidade própria de ajuste ao novo horário, a relação de fase entre os ritmos é modificada. Após alguns dias ou semanas a ordem temporal interna é restabelecida. 
Analise as tabelas a seguir,  elas mostram a expectativa do Operador Nacional do Sistema Elétric - ONS para os 133 dias do HV 201-2012. Analise, especialmente os dados da Bahia.

A quais conclusões vocês chegaram?
Bem, pelo menos duas podem ser destacadas.
1ª - Pelos motivos já espostos até aqui, a Bahia terá o pior desempenho entre todos os estados que adotaram o HV 2011-2012 no quesito economia de energia 10MWmed, a Região Sul, que tem três estados, vai economizar 50MWmed, ou seja, 16,6MWmed por estado;
2ª - A Bahia tem um desempenho ruim também no que diz respeito à redução da demanda, 140MW contra 600MW da Região Sul, ou 200MW na média por estada.

Contudo, e se serve de consolo para nós baiano, como mostrado na tabela 2, o maior efeito para nós está no fato do horário de verão diluir o horário de pico, evitando assim uma sobrecarga do sistema energético. Isso é possível, pelo fato da parcela de carga referente à iluminação ser acionada mais tarde, que normalmente o seria, motivada pelo adiantamento do horário brasileiro em 1 hora. O efeito provocado é de não haver a coincidência da entrada da iluminação, com o consumo existente ao longo do dia do comércio e da indústria, cujo montante se reduz após as 18 horas.

Forte abraço. Espero que tenha gostado deste post.

Aguardo seu comentáro.
Esron.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

ASPECTOS GEOGRÁFICOS DE CAMACÃ


 CARACTERÍSTICAS GERAIS E GEOGRÁFICAS

LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA E LIMITES TERRITORIAIS

Localização do Município no Estado da Bahia, Mesorregião Sul Baiano



De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Resolução nº 1, de 15 de janeiro de 2013, publicada no DOU (Diário Oficial da União) de 23 de janeiro de 2013, a área territorial do município de Camacã é de 626,649 Km² e está localizada na Mesorregião Geográfica Sul Baiano, Microrregião Geográfica Ilhéus- Itabuna, em conformidade com a regionalização proposta pelo IBGE para o Estado da Bahia em 1990. Localiza-se a 15° 25’ 08” S e 39° 29’ 45” W. Sua distância para a capital do estado, Salvador, é de 511 km (2007, Departamento de Infraestrutura de Transportes da Bahia – Derba apud SEI/BA, 2015).

Microrregião Ilhéus-Itabuna: destacando a hinterlândia de Camacã


FORMAÇÃO ADMINISTRATIVA


De acordo com o histórico do município, encontrado na Biblioteca Central do IBGE, a formação administrativa de Camacã inicia-se com a criação do distrito de Vargito, pelo decreto estadual nº 11089, de 30/11/1938, criado com território dos extintos distritos Novo Horizonte, Rio de Salsa e Serra da Onça, subordinado ao município de Canavieiras. 

No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, o distrito de Vargito, figura no município de Canavieiras.

Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1-VII-1950, o distrito de Vargito, permanece no município de Canavieiras.

Pela lei estadual nº 628, de 30/12/1953, o distrito de Vargito tomou a denominação de Camacã.

Em divisão territorial datada de 1-VII-1955, o distrito de Camacã (ex-Vargito), figura no município de Canavieiras.

Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1-VII-1960.

Elevado à categoria de município com a denominação de Camacan, pela lei estadual 1465, de 31/08/1961, desmembrado de canavieiras. Sede no atual distrito de Camacan (ex-Camacã).

Constituído do distrito sede. Instalado em 07/04/1963.

Em divisão territorial datada de 31/XII/1963, o município é constituído do distrito sede.

Assim permanecendo em divisão territorial datada de1993.

Pela lei municipal nº 277, de 18/07/1994, é criado o distrito de São João do Panelinha e anexado ao município de Camacan.

Em divisão territorial datada de 1997, o município é constituído de 2 distritos: Camacan e São João do Panelinha.

Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007.

Em 2010, a Câmara Municipal de Vereadores aprova a Lei Nº 669/10, aprovada em 1º votação em 15/06/10 e provada em 2ª votação em 29/06/10, que “Cria o Distrito de Jacareci” com sede na mesma localidade de Jacareci, neste Município.

Alteração toponímica distrital

Vargito para Camacã, alterado pela lei estadual nº 628, de 30-12-1953.

Retificação de grafia

Camacã para Camacan, teve sua grafia alterada, pela lei estadual nº 1465, de 31-08-1961.

Novamente a grafia foi alterada pela lei municipal/estadual nº xxx, de xx de xx/xxxx, permanecendo em vigor até a presente data.

DIVISÃO ADMINISTRATIVA

De acordo com a Lei Orgânica do Município (Capítulo II – Art. 7º), Camacã possui a seguinte divisão administrativa:

São distritos do município de Camacã: São João do Panelinha e Jacareci.

São povoados dos distritos em que estão localizados: Leoventura, Jardim Cruzeiro, Novo Itamarati e Nanci.

O município se encontra geograficamente estruturado nas seguintes zonas: as mesmas foram agrupadas de acordo com o clima, relevo e vegetação.

·         Zona da Água Preta;

·         Zona do Vargito;

·         Zona da Piabanha;

·         Zona do Panelinha;

·         Zona dos Mutuns;

·         Zona do Braço do Norte;

·         Zona da Umbaúba;   

·         Zona das Lagoas;

·         Zona de Potiraguá;

·         Zona do Panelão;


LIMITES DE CAMACÃ

Ao Norte – Arataca, Jussari e Itaju do Colônia;

Ao Sul – Potiraguá;

Ao Leste - Santa Luzia e Mascote;

Ao Oeste - Pau Brasil.

Limites Territoriais do município de Camacã, Bahia.


Imagem via Satélite do Município de Camacã
Fonte: Google Earth. Dados cartográficos ©2015 Google Imagens ©2015 CNES / Astrium, Cnes/Spot Image, DigitalGlobe.


RELEVO

De acordo com a nova classificação das unidades de relevo do Brasil, organizada pelo geógrafo Jurandyr Ross, em 1989, Camacã está localizada na unidade dos Planaltos e Serras do Atlântico Leste-Sudeste, também chamados de mar de morros, anteriormente denominada de Planalto Atlântico na classificação do relevo de Aroldo de Azevedo (de 1949), e de Serras e Planaltos do Leste e Sudeste do geógrafo Aziz Ab’Saber (de 1962).

Com base no mapa hipsométrico do município (Figura 5), constata-se a predominância de altitudes que variam entre 39 e 259 m. Porém, existem localidades que chegam até 1.140 m. Observa-se, ainda, que a maior parte da geografia do município situa-se em relevo relativamente plano.

O Serviço Geológico do Brasil elaborou em 2014 uma Carta de Suscetibilidade a Movimentos Gravitacionais de Massa e Inundação do Município de Camacan. Desse documento cartográfico foi possível depreender: na região norte do município há presença de relevo ondulado a ondulado forte, com predomínio de relevo serrano, encostas com formas retilíneas, declividades entre 20º e 25º, amplitudes entre 15 e 25 m. Do ponto de vista geológico, ocorrem substratos compostos por granulítos do Complexo Ibicaraí, corpos de metatonalito e mesopertita, e rochas ígneas do Sienito Anuri, os solos são do tipo latossolos; Nas região central e sul, relevo plano e suavemente ondulado, presença de colinas baixas e morros elevados, encostas com formas suavizadas convexas, declividades entre 10º e 13º, amplitudes entre 5 e 10m, substrato composto predominantemente pelos metassiltitos, mármores e filitos de Formação Água Preta. Com menor frequência nas rochas conglomeráticas da Formação Panelinhas e Salobro; granulíticas do Complexo Ibicaraí, Buerarema; metassedimentares da Formação Camacã; os solos são dos tipos argissolo e latossolo.

No processo de ocupação do espaço do município de Camacã o relevo assume grande importância. Desde a configuração da área urbanizada/edificada, dos sistemas de produção, da produção da história, da sua paisagem emblemática, “que hoje apresenta-nos objetos urbanos que denunciam mais a pobreza que a pujança dos áureos tempos em que o município foi o maior produtor de cacau do Brasil” (TRINDADE, 2009, p. 115).

Camacã: hipsometria

CLIMA

Camacã é um município de clima tropical úmido, sem estação seca, cujas temperaturas médias anuais variam entre as máximas superiores a 24ºC e as mínimas de 21ºC, ficando as médias mensais anuais durante o ano todo acima de 20ºC. Os meses mais quentes vão de novembro a março, sendo que fevereiro pode atingir uma temperatura próxima aos 30ºC. As temperaturas mais baixas concentram-se nos meses de junho e agosto. A pluviosidade apresenta um gradiente decrescente, com totais anuais superiores a 1.300mm. As chuvas ocorrem, normalmente, durante o ano todo, não havendo, portanto, uma estação seca definida, apenas menor pluviosidade nos meses de agosto e setembro, em contraste com o mês de março, quando as precipitações pluviométricas são mais abundantes. A umidade relativa do ar situa-se em torno de 80%.

Camacã: Isoietas Anuais Médias 1977 a 2006


VEGETAÇÃO

A vegetação do nosso município ocorre em função do clima tropical litorâneo: é a mata atlântica, um importante ecossistema do nosso país, assim como a floresta amazônica e o cerrado. As florestas atlânticas são ecossistemas que apresentam árvores com folhas largas e perenes. Abriga árvores que atingem de vinte a trinta metros de altura. Há grande diversidade de epífitas, como bromélias e orquídeas. Aqui, ela quase que desapareceu, está restrita a pequenas manchas de remanescentes de mata. A floresta foi devastada em grande parte em função da expansão urbana, da expansão da agricultura e da pecuária e a extração de madeira entre outros fatores.

 Estudos realizados pela CEPLAC e pelo Jardim Botânico de Nova York registraram um recorde mundial de biodiversidade: foram identificadas 458 espécies diferentes de árvores em um hectare de floresta (uma área do tamanho de um campo de futebol).

A predominância de vegetação secundária e agricultura no município (Figura 07) é consequência da introdução da lavoura cacaueira ao final do século XIX e início do século XX. Ao longo do tempo a paisagem agrícola foi se transformando em função da inserção de novas atividades agropecuárias a exemplo da pecuária leiteira e de corte, café, cultivo e extração de madeira e cultivos de subsistência, implicando em diversificação agrícola e novas configurações da paisagem rural.

Camacã: mapa de classes de vegetação


REDE HIDROGRÁFICA

O Rio Panelão nasce na Serra do Pau-oco, região norte do município, próximo aos limites com os municípios de Itaju do Colônia e Pau Brasil, banha todo o município e deságua no Rio Pardo, ponto fronteiro com o município de Mascote.

O Rio Panelinha é o maior tributário do Rio Panelão. Nasce na região norte do município, na altura da Fazenda Itamutinga de Cima, próximo ao limite com o município de Arataca, e banha toda a parte leste do município. Sua confluência com o Rio Panelão ocorre no Vargito.

Diz uma lenda indígena que esses rios receberam estes nomes porque quando um índio adulto morria, era praticado um ritual para os cortejos fúnebres, onde se embalsamavam os corpos com ervas especiais e os lacravam em urnas funerárias feitas de barro cozido que eram jogadas às margens do rio de maior leito. O rio Panelão recebeu este nome pelo fato de receber em suas águas as urnas maiores. E os Curumins (índios crianças) eram embalsamados em urnas menores lançadas às margens do rio menor que passou a chamar-se Rio Panelinha, por receber as “panelas menores”.

O Pardo é um rio federal que percorre uma extensão de 565 km, sendo 220 km no território mineiro, da nascente, no município de Rio Pardo de Minas, a cerca de 750 m de altitude, até a foz em Canavieiras, no estado da Bahia, quando deságua no Oceano Atlântico, a 18 km acima da foz do Rio Jequitinhonha. Em Camacã, banha todo o sul do município, servindo como divisor entre os municípios de Camacã, Mascote e Potiraguá.

Estes três rios possuem uma grande importância histórica e também geográfica. A expansão das roças de cacau tem início em terras ribeirinhas e estes rios eram as vias naturais de penetração para as melhores terras. Todo processo de migração e circulação entre Canavieiras e Camacã, assim como o escoamento da grande produção cacaueira era feito em canoas subindo e descendo o curso destes rios.


POPULAÇÃO

A população do município no auge da cultura cacaueira, segundo dados do censo, chegou a ter 50.000 (Cinquenta mil habitantes). A partir dos anos 90, houve um crescente êxodo da população, provocado pela crise do cacau que aumentou o índice de desemprego, obrigando muitos cidadãos a migrarem para várias cidades vizinhas e até mesmo outros estados. De acordo com o IBGE, a população estimada em 2014, divulgada pela Diretoria de Pesquisas, Coordenação de População e Indicadores Sociais, era 33.135 habitantes, possuindo uma densidade demográfica de 52,87 hab/km². O cidadão nascido em Camacã tem como gentílico camacaense.

Camacã: Evolução Populacional

ANO
CAMACÃ
BAHIA
BRASIL
1991
37.023
11.867.991
146.825.475
1996
32.577
12.472.894
156.032.944
2000
31.055
13.070.250
169.799.170
2007
30.289
14.080.654
183.987.291
2010
31.472
14.016.906
190.755.799

Fonte: IBGE: Censo Demográfico 1991, Contagem Populacional 1996, Censo Demográfico 2000, Contagem Populacional 2007 e Censo Demográfico 2010;


Camacã: Pirâmide Etária
Fonte: IBGE: Censo Demográfico 2010


INDÚSTRIA, COMÉRCIO E AGRICULTURA

O município conta com uma indústria do setor têxtil (Malwee) e pequenas indústrias de confecções, sofás e artesanato, manilhas e tijolos; indústria de geleia de cacau, aguardente e de calcário, farmácias, padarias, escritórios contábeis e advocatícios, lojas diversas, supermercados, armazéns de cacau, restaurantes, bancos (Bradesco, Banco do Brasil, Banco do Nordeste e a partir de 2011 a reabertura da Caixa Econômica Federal), e outras empresas comerciais.

A grande riqueza vegetal do município ainda é representada pela produção de cacau, cientificamente chamado THEOBROMA CACAO. Foi citado pela primeira vez na literatura Botânica pelo estudioso Charles L’Ecluse, que chamou de “Cacao Frutus” antes de ser denominado “THEOBROMA CACAO”, conforme é conhecido atualmente, foi descrito por Lineu com a designação de “Theo broma Fructus”

Na Bahia, o cacaueiro foi introduzido em 1746, pelo colono francês Luís Frederico Warneaux, que trouxe as sementes do Pará, doando-as a Antônio Elias Ribeiro. Estas sementes foram plantadas por Antônio Elias Ribeiro na fazenda Cubículo, situada à margem direita do Rio Pardo, na época pertencente à Capitania de São Jorge dos Ilhéus, atualmente município de Canavieiras.

Embora o município seja produtor, eminentemente de cacau, o seu solo e clima prestam-se muito bem para o desenvolvimento das culturas do guaraná, café, seringueiras, cravo-da-índia, mandioca, feijão, banana e outras plantações que já começam a surgir.

Mais recentemente, diversas pesquisas foram implementadas no sentido de buscar um cacaueiro mais resistente à vassoura-de-bruxa. Após conclusões dos estudos realizados em laboratório e em campo descobriram-se diversas espécies com graus variados de resistência, todas muito mais tolerantes que os cacaueiros existentes, além de proporcionar uma produção precoce (02 anos e meio já com fruto).

Estas espécies, uma vez enxertadas em uma planta com tendência de tolerância, também irão gerar outra planta muito mais tolerante e resistente à praga.

Com todos esses avanços, hoje, já existem fazendas especializadas na produção de mudas resistentes (jardins clonais), que vêm substituindo o cacaueiro antigo.

Como alternativo ao declínio do cacau, o café, em especial o CONILLON, mostrou-se bem próprio de ser implementado nas terras do cacau. Algumas fazendas de cacau tem dividido seus espaços com a lavoura do café. Camacã já tem a sua associação de produtores de café a BBCAFÉ (Bahia Brasil Café) e também uma firma compradora do produto.

Camacã: culturas
 IBGE-Pesquisa Agrícola Municipal

Camacã: efetivo de animais

IBGE - Pesquisa Pecuária Municipal

COMUNICAÇÃO

O dispõe de serviços de telefonia fixa com centrais telefônicas 100% digitais, onde a população pode desfrutar dos serviços da Rede Mundial de Computadores (Internet) com o serviços de alta velocidade oferecidos pela Oi Velox e pala Elitnet, esta última com sua base de operações sedeadas no município, além de contar com os serviços de telefonia móvel das principais empresas do país, sendo as operadoras Tim, Oi, Claro e Vivo que oferecem além do serviço de voz também conexão com a internet.

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos mantém uma agência postal telegráfica na cidade. Os sinais de TV na cidade são gerados pelas estações de TV Santa Cruz (Rede Globo) Cabrália (Rede Record) são captadas normalmente, através da repetidora instalada nos limites do município, (Serra Bonita), ou através de antenas parabólicas e TV a cabo que captam canais do Brasil e do mundo. A cidade possui ainda uma emissora de rádio, a Regional Sul FM e uma sonorização urbana, A Voz do Progresso, além de um jornal escrito (Folha do Cacau), com informações da região.

TRANSPORTES

Somente em 1932, por iniciativa de Dr. João Vargens, abriu-se a primeira estrada nas margens do Rio Pardo, atual município de Mascote, por cerca de 25 km, nas proximidades da região do Vargito. Mais tarde, por volta de 1946, esta estrada teve prosseguimento, ligando o município de Camacã com todos os demais municípios da região sul e, por conseguinte com todo o Estado. Em 1973, foi inaugurada a BR 101, que muito beneficiou a região. A cidade de Camacã, atualmente é servida por empresas rodoviárias que estabelecem ligação com os municípios vizinhos, outras cidades mais distantes do Estado, e do país. Na área urbana circulam transportes coletivos servindo a população com o percurso centro-Panelinha e para os distritos, passando pelo terminal rodoviário Joviano Pinheiro de Moura.

A cidade está ligada à BR 101 através de vias asfaltadas que dista aproximadamente 4 (quatro) quilômetros do município. As vias asfaltadas que ligam Camacã a toda a parte do Brasil trouxeram grandes vantagens ao escoamento da produção da região. A distância entre Camacã e Salvador é de 526 Km. Dos municípios vizinhos: Canavieiras, 90 km; Santa Luzia 28 Km; Itabuna 88 Km; Itajú do Colônia 60 Km; Mascote 34 Km; Pau-Brasil 24 Km e Potiraguá a 61 Km.


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REFERÊNCIAS

BRASIL. Diário Oficial da União (DOU). Resolução nº 1, pág. 49. Seção 1, de 23 de Janeiro de 2013. Disponível em: < http://www.jusbrasil.com.br/diarios/50082118/dou-secao-1-23-01-2013-pg-49>. Acesso em 11/07/2015.

 _____. Ministério de Minas e Energias. Serviço Geológico do Brasil: Carta de Suscetibilidade a Movimentos Gravitacionais de Massa e Inundação do Município de Camacan. Disponível em: < http://www.cprm.gov.br/suscetibilidade/CAMACAN_BA.pdf>. Acesso em 12/07/2015.

BAHIA. Sistema de Informações Municipais (SIM). Informações Municipais: Camacan. Disponível em: < http://sim.sei.ba.gov.br/sim/informacoes_municipais.wsp>. Acesso em 11/07/2015.

CAMACAN. Câmara Municipal de Vereadores. Diário Oficial do Legislativo: Lei Orgânica Municipal. Disponível em: < http://www.camara.camacan.ba.io.org.br/arquivos_clientes/136/midia/33159.pdf>. Acesso em 11/07/2015.

_____. Câmara Municipal de Vereadores. Diário Oficial do Legislativo, Sexta-feira, 9 de Julho de 2010, Ano IV, Nº 158, p. 4, Autógrafo da LEI Nº 669/10, Cria o Distrito de Jacareci e dá outras providências. Disponível em:< http://www.camara.camacan.ba.io.org.br/diarioOficial/download/136/158/0>. Acesso em 12/07/2015.

IBGE Cidades. Disponível em: <http://cod.ibge.gov.br/VWT>. Acesso em 11/07/2015.

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OLIVEIRA, Clarice Gonçalves S. de; TRINDADE, Gilmar Alves; GRAMACHO, Maria Helena. Trajetória, permanência e transformações têmporo-espaciais na Cidade de Camacan/BA: interfaces com a crise da cacauicultura. Ilhéus: Editus, 2009.